quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Como educar um filho sem recorrer a castigos, gritos e palmadas?

A criança se sente frustrada, bate o pé e abre o maior berreiro. Tudo deve funcionar a seu bel-prazer e ai de quem a contrariar. Estamos falando de uma criança sem limites, sem noção de certo e errado, que não sabe até onde pode ir e testa.
Os pais, em contrapartida, trabalham fora e acompanham pouco o dia a dia da criança. A escassa convivência deixa lacunas de entendimento em ambas as partes. A criança cobra atenção, os pais desacostumados à demanda pagam com impaciência.
Como educar um filho sem recorrer a castigos, gritos e palmadas?
Aqui você encontra um guia com oito lições práticas para os papais de plantão que desejam ensinar os limites a seus filhos.



Lição 1: O tempo passado fora de casa não é justificativa para afrouxar os limites ou mimar demais a criança.

"Existem muitas mães que trabalham fora e sabem dar limites para os filhos, além de providenciarem pessoas substitutas (como babás e avós) que seguem as orientações dos pais para garantir uma educação com limites", afirma a psicóloga Kátia Ricardi de Abreu. "Quantidade não é sinômino de qualidade, o importante é que o tempo dedicado aos filhos seja exclusivo das crianças. Aproveite para perguntar sobre o dia-a-dia delas e interfira sempre que notar algum comportamento errado", complementa a pedagoga Renata Monteiro.



Lição 2: Palmadas e gritos não educam. Prefira o diálogo.

"Palmadas podem parecer o recurso mais eficaz para lidar com a criança, no entanto, costuma refletir a dificuldade dos próprios pais em usar o diálogo", constata Kátia. "Não as recomendo como forma de educar pois agressividade gera agressividade", afirma a psicóloga. Conversar com a criança é o primeiro passo. "Não adianta gritar ou dar palmadas, pois os pequenos gostam de desafiar os adultos e de medir poder com eles. Além disso, podem achar que a repressão é uma falta de amor dos pais", alerta Renata. Mas a conversa precisa ter um tom firme para surtir efeito. "Se o diálogo não for com um conteúdo e um tom firme, a criança vai perceber essa ausência da potência e poderá não acatar as orientações recebidas. Ela só entenderá os limites com o diálogo se este for potente, carregado de amor e firmeza ao mesmo tempo", ensina Kátia.



Lição 3: Diante de um "não" é preciso explicar os motivos à criança.

"As crianças precisam e têm o direito de entender o porquê das proibições, pois só assim ela entenderão que aquele ‘não' ocorre para protegê-la e, portanto, é um ato de amor", garante Kátia. "Mas faça explicações breves e simples - na linguagem da criança", ensina Renata. Se mesmo depois da conversa, ela permanecer sem compreender o motivo da repreensão, uma boa dica é fazê-la se colocar no lugar do outro. "Pergunte o que ela faria se fosse a mãe ou o pai. Trocar de papéis pode ajudar a verificar se ela tem a noção do certo e errado", sugere Kátia.

Já no caso de crianças menores, que não têm condições de compreender as motivações dos pais, "não" é "não" e, "sim" é "sim". "Se a criança está subindo em um lugar perigoso, por exemplo, e não tem a menor noção do que vai acontecer se cair os pais não têm que conversar, têm apenas que dizer ‘desça já daí'", ensina Kátia.



Lição 4: Os pais não devem se desautorizar na frente da criança.

É comum após receber uma repreensão ou proibição de um dos pais, a criança sair correndo para buscar apoio no outro pai. “Nesse caso, os pais devem estar de acordo. E se não estiverem podem conversar em separado sem tirar a autoridade de um dos pais. Se a criança perceber o desacordo, ela tentará manipular e fazer jogos para conseguir o que quer. Além disso, quando os pais se desautorizam, a criança fica confusa com as figuras de autoridade e vai reproduzir estes jogos pela vida afora”, adverte Kátia.



Lição 5: Procure fazer a criança refletir sobre seu comportamento. 

Diante de um comportamento errado é importante fazer a criança refletir sobre seu ato a fim de que ele não se repita mais. "Criar um canto do pensamento onde a criança tenha que permanecer por uns poucos minutos pode ajudá-la a compreender porque seus pais estão chateados com seu compartamento", sugere Renata. Kátia acrescenta: "Na maioria das vezes, a criança sozinha não será capaz de refletir sobre seus atos. Ela provavelmente irá pensar em outras coisas. Por isso, esta reflexão deve ser feita em conjunto com os pais, através de uma conversa agradável, onde ambos poderão aproveitar a oportunidade para se aproximarem e manifestarem suas idéias".



Lição 6: Nunca desmereça a criança e sim seu comportamento.

"Esse é um dos maiores erros dos pais. É comum ouvirmos eles chamando seus filhos de crianças más por terem arremessado um brinquedo ao chão, por exemplo, ao invés de repreenderem a ação", constata Renata. Ao dar limites a criança é importante que a mãe não desmereça o filho e sim sua conduta. Ao invés de dizer "você é feio, jogou no chão", diga "é feio jogar no chão, não jogue". Desta forma ela vai ter a pontuação exata para aquilo que fez sem ser desconsiderada. "Se a criança se sentir má, ela irá passar a agir como má, pois é isso que ela acredita que esperam que ela seja", alerta Kátia.



Lição 7: Sempre que possível, dê as regras mas ofereça opções.

"Muitas vezes, os pais podem simular opções à criança que facilitam o acato à regra. Se é hora da criança tomar banho, os pais podem oferecer a opção de banheira ou chuveiro, ou pedir que a criança escolha sua roupa, reduzindo o estresse e impedindo que a criança queira medir poder com os pais", ensina Renata.



Lição 8: Elogie a criança diante de bons comportamentos.

Quando a criança se comporta bem é preciso que esse comportamento seja reforçado pelos pais. "O elogio, o reconhecimento, o carinho positivo é o que constrói uma sociedade cooperativa e saudável", garante Kátia, que lembra: "Limite tem que ser na medida certa, quando as proibições são rígidas demais, o excesso de limite também levará à rebeldia como forma de sobreviver ao abuso de poder", finaliza a psicóloga.

Negar algo à criança nem sempre é fácil. "A entrada da mulher no mercado de trabalho afastou a mãe do contato direto com o filho e dificultou a tomada das rédeas da educação pelos pais", argumenta a pedagoga Renata Monteiro. "Como eles passam a maior parte do tempo fora de casa, sentem medo de dizer ‘não' para o filho e perder seu amor. Os limites, então, passam a ser encarados como proibições e vistos negativamente", explica Renata.

Na vida serão muitas as privações e limites são poderosas ferramentas para minimizar as frustrações futuras. Para a psicóloga Kátia, pais que têm dificuldade de endurecer com os filhos não aprenderam a noção de limites com seus próprios pais: "São gerações onde os limites foram frouxos e isso se torna uma bola de neve". Por isso muitos delegam a tarefa de educar à escola. Para a especialista, a educação dos filhos é responsabilidade dos pais. Escola é complementar.

"Mesmo que passem poucas horas com os filhos, se estas horas são usadas para educar, eles serão modelados de acordo com os valores passados. Ocorre que alguns pais não fazem isso e as razões são muitas: cansaço, medo de perder o amor dos filhos, medo de repreender demais e deixá-los ‘traumatizados'", lista Kátia. A pedagoga Renata concorda: "A escola tem um papel de parceria com a família. Ela ajuda a criança a se autoconhecer, a conviver em grupo, mas se a criança não recebe limites dentro da própria casa, todo o esforço da escola é perdido", adverte.

"Não restam dúvidas de que os limites são fundamentais para que a criança possa conviver em sociedade de forma pacífica e produtiva", garante a psicóloga Kátia Ricardi de Abreu. Segundo ela, os principais problemas sociais e relacionais que assistimos hoje são decorrentes da ausência de limites dados pela família e reforçados pela sociedade, o que torna as pessoas desumanas, "elas não se importam com os sentimentos do outro, não respeitam o outro, estão o tempo todo interessadas na satisfação de seus próprios desejos e necessidades".


Fonte: Mundo Bebê

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